Endometriose e Gravidez

Mulheres com Endometriose têm um Maior Risco de Complicações na Gravidez, Incluindo Aborto Espontâneo e de Gravidez Ectópica

Fonte: Dunselman G, Saraswat L, Horne A, et al. ESHRE: Management of Women With Endometriosis. Human Reproduction. 2015.
Tradução: Ana Rita Arrais
Revisão: Dália Almeida

Um estudo recente no Reino Unido descobriu que mulheres com Endometriose têm uma maior probabilidade de experienciar complicações durante e após a gravidez, incluindo um risco mais elevado de aborto espontâneo e de gravidez ectópica. As mulheres com Endometriose que passam o marco das 24 semanas de gravidez têm também um maior risco de hemorragia pré e pós-parto, tal como de parto antes do termo. Até agora, os riscos das gravidezes de mulheres com Endometriose eram relativamente desconhecidos, mas os resultados estão a impulsionar os investigadores a adotar novas táticas de planeamento familiar para mulheres que têm esta doença. As descobertas vão ser apresentadas na Reunião Anual da ESHRE, em Lisboa, de 14 a 17 de Junho.

O estudo incluiu dados de âmbito nacional de todos os hospitais estatais na Escócia, revendo a informação descarregada de 14655 mulheres com relatórios de acompanhamento médico entre 1981 e 2010. Comparando os resultados reprodutivos e de gravidez de 5375 mulheres com um diagnóstico confirmado de Endometriose com 8280 mulheres que não tinham Endometriose, os investigadores foram capazes de analisar a prevalência de complicações em mulheres com a doença. Após terem sido feitos os ajustes em relação a gravidezes anteriores e à idade, os investigadores descobriram que as mulheres com Endometriose têm 76% mais probabilidade de aborto espontâneo do que as mulheres que não têm a doença. As mulheres com Endometriose também têm três vezes mais probabilidade de ter uma gravidez ectópica, um problema em que o óvulo fertilizado se implanta e desenvolve fora da parede uterina. Para além disso, os investigadores encontraram um risco significativamente elevado de hemorragia e de parto antes de tempo. “Estes resultados indicam que a Endometriose predispõe as mulheres a um risco elevado de uma perda precoce da gravidez e de complicações mais tarde na gravidez”, disse o Dr. Lucky Saraswat, consultor de ginecologia na Enfermaria Real Aberdeen, num comunicado de imprensa recente.

A Endometriose é uma doença em que o tecido que forra o útero cresce nos órgãos circundantes. Quando o forro uterino sai do útero, adere ao que se encontra em redor e forma adesões que ficam mais espessas e que sangram tal como se estivessem no útero. Por norma, esta situação causa uma dor extrema para as mulheres com esta doença. De acordo com a Women’s Health, estima-se que cinco milhões de mulheres Americanas sofram desta doença, com um aumento de probabilidade em mulheres entre os 30 e os 40.

Saraswat teoriza que o aumento da inflamação pélvica e as alterações estruturais e funcionais do útero que ocorrem devido à Endometriose são muito provavelmente o motivo por trás do aumento do risco de gravidez. “Acreditamos que tais alterações ao ambiente pélvico e uterino possam influenciar a implantação e desenvolvimento da placenta, predispondo-os a resultados adversos na gravidez.”, disse.

Os investigadores pensam, no seguimento das suas descobertas, que o planeamento familiar de mulheres com Endometriose tem que ser reavaliado. Mulheres com esta doença tem que ser alertadas para a totalidade dos riscos, incluindo a maior probabilidade de aborto espontâneo e de gravidez ectópica durante o primeiro trimestre. Elas também devem ser informadas que as suas gravidezes vão necessitar de “maior monitorização através de ecografias e mais vigilância para identificar potenciais complicações, tais como, sangramento e parto antes de tempo”, disse Saraswat. “Os dados deste estudo ao longo da Escócia deveriam influenciar as estratégias de saúde para a vigilância e identificação precoce de complicações na gravidez de forma a otimizar os resultados para as mulheres e os seus bebés.”

De acordo com o Professor Andrew Horne da Universidade de Edinburgh, é essencial guiar estas mulheres durante a gravidez, visto que 60 a 70 por cento das doentes vão ficar grávidas espontaneamente com pouco conhecimento do risco. “Estas novas descobertas sugerem que talvez tenhamos que avisar as mulheres com Endometriose, que engravidam, que têm um maior risco de complicações tanto no início como no final da gravidez, e que podem necessitar maior monitorização pré-natal”, disse ele.

Embora os investigadores não queiram desencorajar completamente a gravidez de mulheres com Endometriose, estes querem que elas se encontrem mais bem informadas dos resultados possíveis. Estes também esperam que a sua pesquisa lhes permita ajudar mulheres com um risco mais elevado de complicações na gestação de crianças saudáveis.