Mudança de hábitos alimentares #1

Enquanto fundadora e presidente de uma Associação de Apoio cabe-me estar informada e procurar formas de ajuda e alívio de sintomas para todas as pacientes. Apesar de não haver certezas sobre a génese desta doença, há alguns estudos que indicam que esta doença e os seus sintomas se podem agravar com a alimentação e com o meio ambiente onde nos inserimos. Com o nascimento da minha filha e sendo eu portadora de uma doença crónica na qual a alimentação pode interferir, interessei-me muito com as questões da alimentação. Li muito, fiz grandes pesquisas, conheci outros casos e cheguei à conclusão que precisava mesmo de uma grande mudança na minha alimentação. Já o tinha tentado fazer antes, mas da forma errada. Todas as mudanças, para que sejam duradouras, têm de ser feitas de forma gradual. É impossível mudar hábitos alimentares do dia para a noite. Até se pode conseguir durante umas semanas, mas depois se caímos no disparate uma vez, perdemos o rumo de novo! E foi assim, tudo muito gradual, com pequenas alterações diárias que consegui mudar muita coisa.

A primeira coisa que tem de mudar é a lista de compras. Se não houver em casa, não comemos! Para mim esta foi uma regra essencial. Não que fossemos de ter muitas “porcarias” em casa, mas há muita coisa que compramos e que achamos que não é assim tão mau e afinal não é bem verdade.
Neste primeiro post sobre a mudança que implementei na minha vida em termos alimentares, vou deixar uma lista de tudo o que deixou de haver cá em casa.

Cá em casa não entra:
Quando digo cá em casa não entra é nas compras semanais normais. Quando temos visitas ou há uma festa ou um jantar programado, há algumas [poucas] coisas destas que regressam, nomeadamente os sumos/refrigerantes, batatas fritas e os enchidos.

Comida pré-cozinhada – tudo o que são hambúrgueres, douradinhos, rissóis, croquetes, nuggets, etc deixou de fazer parte da lista de compras. Eliminei por completo este tipo de coisas da minha alimentação. Antes, quando consumia já só usava o forno para confeccionar, evitando assim os fritos, mas agora nem assim!

Bolachas, bolos e croissants – Havia sempre um pacote de bolachas, nem que fosse de água e sal, mas quando olhei para a lista de ingredientes e li a quantidade de E’s nem isso voltou a entrar cá em casa. Por norma, e porque todos temos vontade de trincar qualquer coisa, tenho sempre as minhas bolachas caseiras ou um bolo caseiro. [Tanto nas bolachas como nos bolos deixei de utilizar açúcar e tento sempre fazer escolhas conscientes nos ingredientes].

Cereais de pequeno almoço e barras de cereais – Havia sempre uma caixa de Fitness ou de outros cereais do género. Agora não há! E todos os dias comia uma ou duas barras de cereais das supostamente saudáveis. Eliminei por completo estes dois hábitos!

Alimentos processados – Enchidos, fiambre, salsichas e afins ficam à porta! Nunca fui muito de comprar estas coisas, mas havia sempre uma embalagem de fiambre ou um frasco de salsichas para um desenrasque. Agora não há!

Lacticínios – Já não consumo lacticínios há alguns anos. Leite, iogurtes e queijos foram totalmente banidos da minha alimentação. Contudo usava leite ou manteiga em algumas receitas. Agora também eliminei isso! [Nunca usei natas nem molhos género béchamel, porque nunca gostei, mas se usasse, seria uma das coisas que também deixaria de usar!]

Carnes vermelhas – O porco já era a “ovelha negra” que nunca vinha connosco para casa, mas a carne de vaca vinha sempre. Agora também deixou de vir. Só carnes brancas [perú, frango, codorniz e coelho] e mesmo destas reduzi o consumo talvez em 70%.

Chocolates e sobremesas – Sempre fui apreciadora de chocolate e por isso recebia muitos de presente e havia sempre em grandes quantidades cá por casa. Deixei de comer chocolate de leite e a verdade é que quando tento comer já não consigo. Fico enjoada! A gelatina, que é recomendada em muitas dietas por ser baixa em calorias é, na maioria das opções disponíveis para venda [seja já pronta ou em pó para fazer em casa] uma péssima escolha. Já falámos sobre isso NESTE artigo.

Pão de forma, pão pita, pão wrap – Havia sempre pão de forma de sementes, daqueles supostamente muito bons e cheios de fibras. Deixou de haver a partir do momento em que olhei para a lista de ingredientes. Agora só compro pão branco [não abri guerra ao trigo apesar de ter reduzido o consumo para mais de metade], com farinha, água, sal e fermento. Daquele pão que é mesmo pão e que ao segundo dia tem bolor. Assim como o pão pita e aquele pão para fazer os wraps que tínhamos sempre disponíveis, agora não há!

Óleo e margarina – Nunca fui muito de usar estas duas coisas porque não fazia fritos, mas havia sempre para apurar algum prato ou para alguma necessidade. Agora tenho óleo de côco, que serve para usar em bolos, bolachas e fazer pipocas!

Sumos e refrigerantes – Não falhava uma refeição. Agora é água, um sumo natural ou nada!

Batatas fritas – Havia sempre um pacote de reserva para uma refeição mais prática. Deixou de haver!

Enlatados – Tomate, milho, grão, feijão, cogumelos, fruta, azeitonas… Havia sempre algumas latas destas na despensa. Agora não há! Cogumelos só consumo dos frescos; milho compro congelado; tomate prefiro o fresco, embora tenha sempre fresco congelado para uma eventualidade; leguminosas compro em pacote, demolho e cozo em casa; azeitonas deixei de consumir; eu comprava fruta enlatada? Comprava pois, ananás e pêssego! Sem comentários possíveis!

Molhos, maionese, mostarda e afins – Nunca fomos muito de consumir estas coisas e a verdade é que acabavam por ir embalagens praticamente cheias para o lixo porque tinham passado a validade. Deixei de comprar. O que há agora no frigorífico é o que ainda restou do ano passado e ainda está dentro da validade!

Caldos Knorr e sopas em pó – Havia sempre duas ou três variedades de caldos Knorr [ou genéricos] e sopa de camarão daquelas em pó que é só juntar água! Agora que me lembro até tenho arrepios!

Pipocas – Era aos baldes! E é tão fácil fazer pipocas em casa 100% saudáveis que não consigo mesmo compreender o que me levava a gastar dinheiro naquela porcaria!

Gelados – Havia sempre várias caixas no congelador, fosse Verão ou Inverno, mas também os gelados fugiram. No Verão comprámos uma ou duas embalagens, mas desde que aprendi o truque do gelado de banana que desisti desse investimento.

Certamente que foram mais as coisas que deixaram de vir connosco para casa mas neste momento não me consigo recordar. Claro que para deixar de comer umas coisas é necessário substituir por outras e essas substituições serão o tema do próximo artigo.

Nota: Este post foi originalmente partilhado no meu Blogue pessoal, Mãe me Quero, onde diariamente vou partilhando receitas e mais alguns detalhes desta minha mudança de vida, contudo e tendo em conta os resultados positivos obtidos no controle da dor, achei que seria uma mais valia fazer esta partilha convosco, no âmbito do nosso Gabinete Nutricional.

SusanaFonseca