Atualmente e, apesar de ser reconhecidamente insuficiente, é ainda muito utilizada pela comunidade médica a classificação revista pela ASRM (American Society for Reproductive Medicine), que subdivide a doença em quatro estádios/formas, passando pelas formas mínimas (estádio I), ligeiras (estádio II), moderadas (estádio III) e graves (estádio IV) (1), deixando de fora, no entanto, os casos mais graves de Endometriose Profunda (2). Dadas as limitações desta classificação, que se prendem, nomeadamente, com a reduzida utilidade para a decisão clínica – já que o estádio da doença pode não se correlacionar com os sintomas -, para além da não valorização da presença de adenomiose ou endometriose profunda, é recomendável a utilização de uma ferramenta multifatorial (3).

Com o intuito de complementarem a classificação r-ASRM, começaram a surgir, mais recentemente, outros instrumentos de classificação, nomeadamente o Enzian, mais relacionado com a endometriose profunda (4), o EFI – the Endometriosis Fertility Index (5), utilizado sobretudo em casos de pacientes de endometriose que pretendam engravidar, e a classificação da American Association of Gynecological Laparoscopists (AAGL).

Apesar do surgimento de todos estes instrumentos, nenhum deles parece corresponder na totalidade às necessidades de clínicos e pacientes. Deste modo, e de forma a melhor adequar a classificação do grau de desenvolvimento da doença à sintomatologia e relevância da informação obtida, a última reunião de consenso levada a cabo pela World Endometriosis Society (6) propõe o recurso aos vários instrumentos de classificação existentes e acima referidos, devendo os especialistas optar ou não por combinar esses mesmos instrumentos no diagnóstico das respetivas pacientes sempre que tal se considere adequado.

Referências:
(1) American Society for Reproductive Health (2012) Endometriosis: Causa infertilidad? Consultado em março de 2019 em https://www.asrm.org/globalassets/rf/news-and-publications/bookletsfact-sheets/spanish-fact-sheets-and-info-booklets/endometriosis_causa_infertilidad-spanish.pdf
(2) Setúbal, A., Maia, S., Lowenthal, C., & Sidiropoulou, Z. (2011). FDG-PET value in deep endometriosis. Gynecological Surgery, 8(3), 305-309. doi: 10.1007/s10397-010-0652-6.
(3) Sociedade Portuguesa de Ginecologia (2015). Consenso sobre endometriose. Penela: Sociedade Portuguesa de Ginecologia. Disponível em http://www.spginecologia.pt/uploads/CONSENSO_LivroEndometriose_2015.pdf
(4) Keckstein, J., Ulrich, U., Possover, M., & Schweppe, K.W. (2003). ENZIAN-Klassifikation der tief infiltrierenden Endometriose. Zentralbl Gynäkol, 125, 291. Disponível em: http://www.endometriose-sef.de/dateien/ENZIAN_2013_web.pdf
(5) Adamson, G.D., Kennedy, S. & Hummelshoj, L. (2010).  Creating solutions in endometriosis: global collaboration through the World Endometriosis Research Foundation. Journal of Endometriosis, 2(1), 3-6. https://doi.org/10.1177/228402651000200102
(6) Johnson, N.P., Hummelshoj, L., Adamson, G.D., Keckstein, J., Taylor, H.S., Abrao, M.S.,... & World Endometriosis Society São Paulo Consortium. (2017). World Endometriosis Society consensus on the classification of endometriosis. Human Reproduction, 32(2), 315-324. doi: 10.1093/humrep/dew293