O número de pacientes afetadas por esta doença cresce a cada dia e a agressividade da doença é cada vez maior (1). Dada a sua natureza crónica, o potencial impacto na fertilidade e nas relações íntimas, e o atraso no diagnóstico, o impacto psicossocial da endometriose nas mulheres merece a maior atenção (2). Além do ónus económico, a endometriose tem um efeito significativo sobre vários aspetos da vida das mulheres, nomeadamente ao nível dos relacionamentos sociais e sexuais, do trabalho e dos estudos (3).

Este é um problema de saúde pública, não é apenas um problema de quem dele padece. Os atrasos no diagnóstico e os vários diagnósticos incorretos comportam avultados gastos para o Serviço Nacional de Saúde e horas de absentismo laboral. É urgente que esta situação mude. É imperativo que haja um diagnóstico precoce para que as pacientes recebam o tratamento mais adequado à sua situação atempadamente, evitando desta forma a progressão da doença a formas mais graves, que podem inclusivamente levar à perda de órgãos, e possíveis quadros de infertilidade.

(1) Setúbal, A., Maia, S., Lowenthal, C., & Sidiropoulou, Z. (2011). FDG-PET value in deep endometriosis. Gynecological Surgery, 8(3), 305-309. doi: 10.1007/s10397-010-0652-6.
(2) Culley, L., Law, C., Hudson, N., Denny, E., Mitchell, H., Baumgarten, M., & Raine-Fenning, N. (2013). The social and psychological impact of endometriosis on women’s lives: a critical narrative review. Human Reproduction Update, 19(6), 625-639. doi: 10.1093/humupd/dmt027.
(3) Simoens, S., Dunselman, G., Dirksen, C., Hummelshoj, L., Bokor, A., Brandes,... & D'Hooghe, T. (2012). The burden of endometriosis: costs and quality of life of women with endometriosis and treated in referral centres. Human Reproduction, 27(5), 1292-1299. doi: 10.1093/humrep/des073.