Importância de acompanhamento médico adequado

A Endometriose é uma doença que, pela sua complexidade, requer um acompanhamento constante e especializado. Nos casos mais graves, os sintomas são extremamente debilitantes e podem deixar sequelas permanentes na vida de uma mulher, não apenas a nível físico, mas também psicológico. O mais recorrente é a dismenorreia (dor na menstruação), muito embora as portadoras da doença possam também sofrer de disquesia (dor ao defecar), disúria (dor ao urinar), dispareunia (dor na relação sexual), infertilidade, entre muitos outros. O facto de alguns destes sintomas afectarem outras áreas que não apenas o sistema reprodutor e a falta de conhecimento da doença junto de parte da comunidade médica leva a que, os primeiros diagnósticos nem sempre sejam os mais adequados e que as portadoras tenham, frequentemente, de esperar quase 7 anos ou mais e de consultar em média 5 médicos diferentes para finalmente obterem as respostas de que precisam.

O acompanhamento adequado é, por tudo isto, essencial para que se consiga, o mais cedo possível, travar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida das mulheres que dela padecem. O recurso a um médico ginecologista especialista em Endometriose faz toda a diferença, quer no diagnóstico inicial, quer nos passos seguintes. Um bom especialista em Endometriose saberá fazer as perguntas certas e, sobretudo, ouvir atentamente aquilo que as pacientes têm para dizer. A confirmação ou não do diagnóstico poderá ser feita de imediato, essencialmente através do toque num exame de palpação interna. Segue-se, por norma, o pedido de exames complementares de diagnóstico, tais como análises sanguíneas especificamente para o marcador CA-125, ou diversos exames imagiológicos, dos quais se destacam ecografias ginecológicas 3D, ressonâncias magnéticas, Uro-TACs, entre outros.

Tendo em conta o papel desempenhado pela Imagiologia no auxílio do diagnóstico e posterior acompanhamento das pacientes, torna-se claro que, também nesta área, é fundamental haver profissionais treinados para detectar a doença. Importa referir que, caso tenha de haver recurso a uma cirurgia, é igualmente crucial o contributo de um cirurgião experiente, especialista quer em Endometriose, quer em técnicas cirúrgicas minimamente invasivas e que proporcionem uma recuperação mais rápida e com menos complicações, nomeadamente a laparoscopia. O sucesso de uma cirurgia em casos de Endometriose, sobretudo nos mais graves, não se esgota, contudo, nas qualificações e experiência do cirurgião. Especialmente em situações onde possa existir comprometimento de outras áreas do corpo (urinária, intestinal, etc.), pode ser necessário recorrer a uma equipa multidisciplinar, da qual também farão parte integrante colegas de outras especialidades, bem como os próprios profissionais de enfermagem. Por tudo isto, já não faz sentido falar apenas na importância de um especialista em Endometriose, mas na de vários especialistas.

De facto, a tendência actual é para, cada vez mais, se pensar no combate à Endometriose numa vertente multidisciplinar, de tal forma que, um pouco por todo o Mundo (Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália, Alemanha, etc.), têm vindo a surgir centros especificamente dedicados à doença e que se caracterizam por uma abordagem holística: para além da Ginecologia, Imagiologia e Medicina da Reprodução, estas instituições disponibilizam também consultas de psicoterapia, nutrição, acupunctura ou reiki, para dar apenas alguns exemplos.

Em Portugal, dispomos felizmente de um conjunto de especialistas, sobretudo no campo da Ginecologia e Obstetrícia, que têm feito um excelente trabalho no acompanhamento das portadoras da doença.

Relembrando um ditado popular, o de que o caminho se faz caminhando, é verdade que a Medicina (tradicional e complementar) tem vindo a dar passos importantes na luta contra a Endometriose, mas há ainda muito a fazer ao nível do diagnóstico precoce e do acompanhamento adequado. É também por isso que existimos enquanto associação: para ajudar a divulgar a doença e os profissionais que a ela se dedicam. Basta de anos a fio a sofrer em silêncio. Procure especialistas: isso faz toda a diferença!

Artigo: Sara Carvalho
Edição: Susana Fonseca

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