Os cientistas podem ter descoberto finalmente o porquê das dores menstruais

Fonte: http://www.sciencealert.com/scientists-might-have-finally-figured-out-why-period-pain-hurts-so-bad
Tradução: Dália Almeida

Os investigadores têm finalmente uma pista sobre uma provável explicação do porquê das dores menstruais e dos chamados sintomas pré-menstruais (SPM) que deixam tantas mulheres angustiadas.

No maior estudo feito até à data sobre esta matéria, os cientistas encontraram uma ligação entre o valor do bio marcador de inflamação e o grau de intensidade dos SPM, sugerindo que um estado de inflamação aguda pode ser o factor que despoleta as câimbras ou dores intensas e inchaço abdominal.

Os investigadores reconhecem há muito tempo que os medicamentos anti-inflamatórios ajudam bastante nas menstruações dolorosas e a maioria dos médicos já recomendam este tipo de fármacos às suas pacientes com o objectivo de acalmar os seus úteros mais rebeldes.

Mas este é o primeiro estudo em grande escala que identifica uma ligação biológica entre inflamação e os SPM, e, apesar de ser bastante preliminar, pode um dia ajudar os cientistas a encontrar tratamento mais eficaz do que aquele oferecido pelos medicamentos analgésicos de primeira linha usados actualmente.

No entanto, o que os investigadores encontraram realmente até agora, após um inquérito a 2939 mulheres nos Estados Unidos realizado por uma equipa da Universidade da Califórnia, Davis; mostrou que há uma correlação positiva entre o grau de gravidade dos SPM e a presença de algo a que chamam nível de sensitividade da Proteína C-Reactiva.

Este último, é um bio marcador do nível de inflamação no nosso corpo, por isso os investigadores sugerem que quanto maior o valor desta proteína, maior é o nível de inflamação sentido, e pior são os SPM que uma mulher é provável sofrer, excluindo o sintoma da dor de cabeça.

“Os sintomas pré-menstruais relacionados com as variações na disposição, dores ou câimbras abdominais ou das costas, ânsias no apetite e consequente aumento de peso ou inchaço abdominal e por fim tensão mamária (excluindo a dor de cabeça), parecem ser significativamente e positivamente elevados na presença de valores aumentados da Proteína C-Reactiva, o marcador de inflamação; mesmo apesar de associações menos relevantes após ajustamento de múltiplas variáveis menos explícitas” reportam investigadores no Journal of Women’s Health. (http://online.liebertpub.com/doi/full/10.1089/jwh.2015.5529)

Estamos perante uma descoberta muito importante já que cerca de 80% das mulheres (http://online.liebertpub.com/doi/full/10.1089/jwh.2015.5529) confirmam ter SPM. Apesar disso, tem existido muito pouca investigação em volta das suas causas, ou sobre potenciais opções de tratamento. Neste momento, as melhores alternativas são medicamentos como o ibuprofeno, analgésicos de primeira linha ou, em casos mais graves, anti-inflamatórios analgésicos mais potentes.
Existe mesmo um novo aparelho que advoga conseguir “desligar” as dores menstruais electronicamente (http://www.sciencealert.com/this-new-device-claims-to-switch-off-period-pain), mas não é capaz de abordar os SPM como um todo.
Isto significa basicamente que milhões de mulheres têm muito poucas opções senão suportar uma combinação de tudo desde câimbras e náuseas, até vómitos e depressão, todos os meses, durante a maior parte das suas vidas.

No início deste ano, John Guillebaud, professor de Saúde Reprodutiva na University College of London, afirmou mesmo que a dor menstrual pode ser tão nefasta como um ataque cardíaco, acrescentando que este assunto tem sido ignorado porque não é uma patologia masculina. (http://qz.com/611774/period-pain-can-be-as-bad-as-a-heart-attack-so-why-arent-we-researching-how-to-treat-it/)

Não é surpreendente portanto que muitas astronautas decidam controlar os seus ciclos menstruais enquanto estão em missões espaciais, os próprios médicos recomendam cada vez mais que mais e mais mulheres o façam, se possível.

Mas se conseguirmos aprofundar o conhecimento sobre os factores biológicos que contribuem para os SPM, poderemos ter uma hipótese de desenvolver melhores tratamentos, ou pelo menos identificar aqueles com um potencial superior. Desvendar a importância da inflamação dará aos cientistas algumas pistas sobre o que investigar a seguir.

“ Os resultados também sugerem que os factores associados com cada um dos SPM são complexos, sugerindo mecanismos potencialmente distintos na origem de alguns sintomas… A inflamação pode desempenhar um papel mecânico na maior parte dos SPM, no entanto são necessários mais estudos transversais para clarificar este tipo de relações.” (http://online.liebertpub.com/doi/full/10.1089/jwh.2015.5529)

“Recomendar às mulheres que evitem comportamentos que são associados a processos inflamatórios pode ser útil na prevenção, e podem ser usados agentes anti-inflamatórios para o tratamento dos sintomas.”

Há ainda muito trabalho a ser feito, e expusemos aqui apenas alguns passos muito pequenos sobre este tema, mas não conseguimos evitar ficar já com esperança no futuro desta área. Agora desculpem-me enquanto vou interromper a menstruação até que os cientistas descubram alguma nova forma de tratamento.

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