Diagnóstico

Estima-se em, aproximadamente, oito a doze anos o tempo que medeia entre os sintomas e o diagnóstico. E se, quando feito, não for instituído um tratamento adequado, a Endometriose continua a sua progressão, sobretudo em fase mais avançada da doença, onde a cirurgia é inevitável. Porque a Endometriose pode ser uma doença progressiva e grave.

Na ausência de endometriomas, são poucos os métodos de diagnóstico não evasivos capazes de detectar a doença. A ecografica e a ressonância magnética são, no entanto, os mais eficazes. Em caso de Endometriose grave e com vista a um estadiamento da doença antes da cirurgia, pode ser necessário efectuar também uma citoscopia, rectosigmoidoscopia, clister opaco e Uro-TAC.

Marcadores tumorais com o Ca125 têm valores pouco preditivos da extensão e gravidade da doença.

Mas o método de eleição para o diagnóstico e o tratamento da doença é a laparoscopia. Só através desta técnica se consegue obter um diagnóstico completo. São critérios para laparoscopia diagnóstica por suspeita de Endometriose os vários tipos de dor persistente, sobretudo se não cedem a anti-inflamatórios e/ou pílula, os sintomas já enunciados anteriormente, e por último, a infertilidade.

A Adenomiose, cada vez mais frequente em doentes jovens, é de diagnóstico mais complexo. O uso adequado da ecografia e da ressonância magnética, em conjunto com a clínica, são determinantes para o mesmo.

O exame clínico sobretudo com a detecção de nódulos ou de quistos, é muitas vezes o mais eficaz.

Na realidade, com expeção dos quistos de Endometriose dos ovários (endometriomas) fáceis de diagnosticar por ecografia, os restantes exames complementares servem essencialmente para estadiar a doença com vista a uma estratégia cirúrgica.

Também aqui é essencial ter ecografistas, radiologistas e gastrenterologistas treinados e sensibilizados para estes diagnósticos.

Dr. António Setubal – Ginecologista