DIAGNÓSTICO

O diagnóstico da endometriose deve basear-se na história de vida da mulher, nos sintomas e sinais que apresenta. É crucial ter atenção aos sintomas expressados pela doente no âmbito da consulta, mas também aos sintomas que muitas vezes não são tidos como relevantes e que estão associados à patologia.
Posteriormente, o diagnóstico é corroborado por técnicas de exame físico e de imagem, e, finalmente, comprovado pela histologia das lesões[1]. Muito embora, na maioria dos casos, o exame clínico permita uma delimitação aproximada da doença, a extensão da mesma poderá, ainda assim, não ser corretamente diagnosticada, sendo necessária a realização de exames complementares de diagnóstico.

Embora a laparoscopia permaneça o método de referência para o diagnóstico da endometriose profunda, os exames de imagem não invasivos desempenham um papel fundamental na caracterização da doença. Em muitos casos, estes permitem identificar a localização, dimensão e extensão das lesões, bem como avaliar a sua gravidade, contribuindo assim para um planeamento cirúrgico mais preciso e adequado[2].

CAUSAS APONTADAS PARA ATRASOS NO DIAGNÓSTICO

O caminho para o diagnóstico de endometriose não é fácil, podendo demorar 8 a 10 anos em média, o que é incompreensível tendo em conta os recursos que existem atualmente.
Vários estudos sugerem que antes de ser definido um diagnóstico correto, as mulheres consultam vários médicos que relativizam os sintomas, considerando-os normais e fazendo com que as pacientes se sintam ignoradas ou descredibilizadas[2]. Algo que também acontece com frequência é a referenciação incorreta das mulheres para outras especialidades devido a erros de diagnóstico, como por exemplo suspeitas habitualmente relacionadas com a síndrome do intestino irritável ou a doença inflamatória pélvica[3].

COMO PREPARAR A PRIMEIRA CONSULTA?

Para facilitar o momento da consulta é importante e relevante levar todos os sintomas e a sua ocorrência registados num “diário de sintomas”, podendo utilizar alguma aplicação móvel, um caderno ou outro formato que preferir. É importante registar os sintomas, a sua ocorrência/recorrência, algum acontecimento que associe ao despoletar desse sintoma (exercício físico de alta intensidade, consumo de algum alimento, elevado nível de stresse, relações sexuais, etc), medicação que tomou e a sua eficácia, ou não.
É igualmente importante o registo prévio de questões, para que no dia da consulta nada fique por perguntar. Muitas consultas são demasiado rápidas e o facto de levar um registo de sintomas e um lembrete de questões ajudará a que no final  se sinta mais esclarecida e melhor acompanhada. 

COMO POSSO SER DIAGNOSTICADA?

Durante o exame, o médico ginecologista irá procurar, através de palpação, algum volume fora do normal – como algum endometrioma ou tumor retovaginal – nos órgãos reprodutivos ou áreas adjacentes ou ainda algum tecido cicatricial na zona pélvica. Durante este exame, quando a paciente sente dor ou desconforto tal poderá ser indicativo da presença da doença[4]. Durante o exame pélvico, pode ser identificado um nódulo doloroso no septo retovaginal, um nódulo visível na parede vaginal ou, ainda, um útero fixo em retroversão, tudo indicadores da potencial existência de endometriose[5][6].

Os exames ecográficos transvaginais devem ser realizados por quem está acostumado a identificar a presença de endometriose. Um exame ecográfico, por si só, não permite o diagnóstico seguro de endometriose. No entanto, este exame pode no mínimo mostrar quistos endometriais ou deformidades na apresentação dos órgãos reprodutores. A presença de dor pela pressão da sonda ecográfica no fundo de saco de Douglas e septo retovaginal permite também a deteção de eventuais lesões de endometriose[6].

Este exame possibilita a visualização pormenorizada e mais clara da localização e dimensão das lesões de endometriose. É crucial para identificar o estádio de evolução da doença e para o planeamento cirúrgico, quando necessário. No entanto, a acuidade da Ressonância Magnética depende do protocolo escolhido, do tipo de endometriose e da experiência de quem analisa as imagens[5].

A única forma de poder realizar um diagnóstico seguro de existência de endometriose é através de uma biópsia de tecido recolhido através da realização de uma cirurgia. O diagnóstico e caracterização da doença são totalmente dependentes da experiência do cirurgião, sendo que a laparoscopia não deve apenas ser encarada como um método de diagnóstico. Com uma adequada preparação e planeamento cirúrgico, o clínico poderá identificar e tratar a endometriose realizando apenas uma cirurgia. Para o efeito, a cirurgia tem de ser realizada por médicos especializados no tratamento da doença e, não raras vezes, por uma equipa especializada e multidisciplinar[6]. Nos casos de endometriose em adolescentes ou jovens adultas a realização de uma laparoscopia diagnóstica, apenas com esse mesmo intuito, poderá não fazer sentido caso a sintomatologia não o justifique [1].

Durante o exame, o médico ginecologista irá procurar, através de palpação, algum volume fora do normal — como algum endometrioma ou tumor retovaginal — nos órgãos reprodutivos ou áreas adjacentes ou ainda algum tecido cicatricial na zona pélvica. Durante este exame, quando a paciente sente dor ou desconforto tal poderá ser indicativo da presença da doença[5]. Durante o exame pélvico, pode ser identificado um nódulo doloroso no septo retovaginal, um nódulo visível na parede vaginal ou, ainda, um útero fixo em retroversão, tudo indicadores da potencial existência de endometriose[6][7].

Os exames ecográficos transvaginais devem ser realizados por quem está acostumado a identificar a presença de endometriose. Um exame ecográfico, por si só, não permite o diagnóstico seguro de endometriose. No entanto, este exame pode no mínimo mostrar quistos endometriais ou deformidades na apresentação dos órgãos reprodutores. A presença de dor pela pressão da sonda ecográfica no fundo de saco de Douglas e septo retovaginal permite também a deteção de eventuais lesões de endometriose[7].

Este exame possibilita a visualização pormenorizada e mais clara da localização e dimensão das lesões de endometriose. É crucial para identificar o estádio de evolução da doença e para o planeamento cirúrgico, quando necessário. No entanto, a acuidade da Ressonância Magnética depende do protocolo escolhido, do tipo de endometriose e da experiência de quem analisa as imagens[6].

A única forma de poder realizar um diagnóstico seguro de existência de endometriose é através de uma biópsia de tecido endometrial recolhido através da realização de uma laparoscopia. O diagnóstico e caracterização da doença são totalmente dependentes da experiência do cirurgião, sendo que a laparoscopia não deve apenas ser encarada como um método de diagnóstico. Com uma adequada preparação e planeamento cirúrgico, o clínico poderá identificar e tratar a endometriose realizando apenas uma cirurgia. Para o efeito, a cirurgia tem de ser realizada por médicos especializados no tratamento da doença e, não raras vezes, por uma equipa especializada e multidisciplinar[6]. Nos casos de endometriose em adolescentes ou adultas jovens, onde a mesma é inicial, apresentando lesões subtis, a realização de uma laparoscopia diagnóstica apenas com esse mesmo intuito poderá não fazer sentido[1].

“SÓ VEMOS AQUILO
QUE CONHECEMOS”

Dunselman, et al, 2014

Tanto o exame físico como os resultados obtidos através da realização de uma laparoscopia dependem da competência do clínico/cirurgião para reconhecer a doença. Se o cirurgião não estiver familiarizado com as diferentes formas da doença, a endometriose pode não ser diagnosticada e, consequentemente, não será tratada. Assim, e tendo em conta a experiência do cirurgião, é possível, durante a laparoscopia, levar a cabo o tratamento cirúrgico[1].

Referências Bibliográficas

[1] Dunselman, G.A., Vermeulen, N., Becker, C., Calhaz-Jorge, C., D’Hooghe, T., De Bie, B., Heikinheimo, O., Horne, A.W., Kiesel, L., Nap, A., Prentice, A., Saridogan, E., Soriano, D., Nelen, W. (2014). ESHRE guideline: management of women with endometriosis. Human Reproduction, 29(3), 400-412. doi: 10.1093/humrep/det457
[2] Setúbal, A., Maia, S., Lowenthal, C., & Sidiropoulou, Z. (2011). FDG-PET value in deep endometriosis. Gynecological Surgery, 8(3), 305-309. doi: 10.1007/s10397-010-0652-6.

[3] Culley, L., Law, C., Hudson, N., Denny, E., Mitchell, H., Baumgarten, M., & Raine-Fenning, N. (2013). The social and psychological impact of endometriosis on women’s lives: a critical narrative review. Human Reproduction Update, 19(6), 625-639. doi: 10.1093/humupd/dmt027.

[4]  Bazot, M., Lufont, C., Rouzier, R., Roseau, G., Thomassin-Naggara, I., & Danai, E. (2009). Diagnostic accuracy of physical examination, transvaginal sonography, rectal endoscopic sonography and magnetic resonance imaging to diagnose deep infiltrating endometriosis. Fertility and Sterility, 92 (6), 1825-1833. doi: 10.1016/j.fertnstert.2008.09.005

 

[5] Sociedade Portuguesa de Ginecologia (2015). Consenso sobre endometriose. Penela: Sociedade Portuguesa de Ginecologia. Disponível em: http://www.spginecologia.pt/uploads/CONSENSO_LivroEndometriose_2015.pdf
[6] Hickey, M., Ballard, K., & Farquhar, C. (2014). Endometriosis. BMJ 2104, 348, 2-9. doi: 10.1136/bmj.g1752