A endometriose é uma doença inflamatória crónica que afeta milhões de mulheres com um elevado número de sintomas. Nos últimos anos, vários estudos têm vindo a demonstrar uma possível ligação entre a endometriose e a hipermobilidade articular, sugerindo que ambas podem partilhar mecanismos relacionados com alterações do tecido conjuntivo, inflamação e desequilíbrios hormonais.
A hipermobilidade caracteriza-se por uma maior elasticidade das articulações e tecidos, podendo causar dores musculares, instabilidade articular, fadiga e lesões frequentes. Em alguns casos, está associada a síndromes do tecido conjuntivo, como a Síndrome de Ehlers-Danlos hipermóvel.
Mulheres com hipermobilidade relatam frequentemente sintomas ginecológicos e pélvicos semelhantes aos observados na endometriose, incluindo dores menstruais intensas, dispareunia e dor pélvica crónica.
Estudos recentes apontam para uma prevalência significativa de hipermobilidade em mulheres com endometriose. Uma análise transversal publicada no Journal of Chemical Health Risks concluiu que cerca de 45% das mulheres com endometriose apresentavam hipermobilidade articular, sendo esta mais frequente nos estádios avançados da doença. Os investigadores sugerem que a inflamação crónica e as alterações no colagénio podem contribuir para a fragilidade dos tecidos e aumento da laxidez (distensibilidade) articular.
Quando falamos de endometriose, é importante perceber que esta não afeta apenas o sistema reprodutivo. Sendo uma doença inflamatória crónica, pode influenciar diferentes áreas da saúde e do bem-estar, e a vitamina D tem vindo a ser cada vez mais estudada nesse contexto.
A vitamina D tem um papel importante:
– no sistema imunitário
– na regulação da inflamação
– na saúde óssea e muscular
– no bem-estar emocional
Alguns estudos sugerem que mulheres com endometriose apresentam frequentemente níveis baixos de vitamina D, o que pode contribuir para:
– aumento da inflamação
– fadiga
– dores musculares e articulares
– maior impacto no humor e saúde mental
Embora a vitamina D não cure a endometriose, manter níveis adequados pode ser um apoio importante no equilíbrio geral do organismo e na qualidade de vida.
E agora que o verão se aproxima, existe também uma pressão silenciosa para “aproveitar o sol”, sair mais e ter energia constante. Mas a realidade de quem vive com dor crónica nem sempre acompanha essa expectativa. Nem todas as mulheres conseguem estar bem apenas porque está sol lá fora. Por isso, mais do que romantizar o verão, é importante ouvir o corpo, respeitar os limites e procurar acompanhamento médico adequado antes de iniciar qualquer suplementação.
A avaliação dos níveis de vitamina D, através de análises, é essencial para perceber se existe carência, qual o grau dessa deficiência e, caso necessário, definir a dose de suplementação mais adequada para cada pessoa.Cuidar da saúde também passa por perceber que carências vitamínicas podem ter um grande impacto no corpo de quem já vive diariamente com inflamação e dor.
A dispareunia é um sintoma frequente em mulheres com endometriose e pode ter diferentes causas. Compreender essas causas é essencial para um diagnóstico correto e para um tratamento mais eficaz.
A dispareunia é quando ocorre dor genital persistente ou recorrente antes, durante ou após a relação sexual. Em mulheres com endometriose, essa dor pode resultar de:
O vaginismo caracteriza-se pela contração involuntária dos músculos do pavimento pélvico, dificultando ou impossibilitando a penetração vaginal. Essa contração pode ocorrer devido ao medo da dor, ansiedade, experiências traumáticas ou mesmo como resposta a uma dor crónica já existente, como a causada pela endometriose.
A vulvodínia é um termo mais amplo que descreve dor crónica na vulva sem uma causa claramente identificável, persistente por pelo menos três meses. A dor pode ser localizada ou generalizada e pode ocorrer mesmo sem contacto ou penetração.
A vestibulodínia é uma forma específica de vulvodínia em que a dor se localiza no vestíbulo vulvar, a região à volta da entrada da vagina. A dor é frequentemente desencadeada pelo toque ou pela penetração devido a uma sensibilidade excessiva dos nervos ou ao crescimento excessivo de fibras, resultando numa sensação de ardor ao toque.
A dor crónica provocada pela endometriose pode levar o corpo a desenvolver mecanismos de proteção, como tensão muscular persistente e hipersensibilidade nervosa. Isso significa que uma mulher pode ter endometriose e, simultaneamente, vaginismo, vestibulodínia ou vulvodínia. Por esse motivo, o tratamento da dispareunia deve ser individualizado e pode envolver: Ginecologista, Fisioterapia do pavimento pélvico, terapia sexual e apoio psicológico.