A endometriose é uma doença inflamatória crónica, estrogénio-dependente, que se caracteriza pela presença de glândulas e estroma endometrial em localização extrauterina, provocando uma resposta local inflamatória (1).

Esta patologia, que afeta aproximadamente uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo, mais de 176 milhões (2), tem atualmente um impacto económico e psicossocial significativo (3).

A endometriose é considerada uma doença crónica que, na maioria dos casos, não tem cura e apenas pode ser controlada (4). Estima-se que afete aproximadamente 2 a 17% da população feminina em geral (1), assim como cerca de 50% de mulheres com infertilidade. Alguns estudos demonstram que os estrogénios são necessários para que a doença se desenvolva (5) e, por isso, ela está normalmente associada ao período reprodutivo da mulher (6), exceto em casos isolados, em que a patologia surge em idades mais precoces ou avançadas (7). 

Tendo por base os dados relativos aos Censos de 2011 (8), e se considerarmos que a endometriose afeta 10% das mulheres em idade fértil, a estimativa é de que, em Portugal, existam 350.000 mulheres com esta doença, embora uma grande maioria esteja subdiagnosticada e uma outra percentagem possa ser assintomática.

Sendo esta uma doença crónica e recorrente, tem um impacto acentuado na saúde física e mental da mulher, afetando todas as vertentes da sua vida: familiar, laboral e social (9).

 
Referências: 
(1) Culley, L., Law, C., Hudson, N., Denny, E., Mitchell, H., Baumgarten, M., & Raine-Fenning, N. (2013). The social and psychological impact of endometriosis on women’s lives: a critical narrative review. Human Reproduction Update, 19(6), 625-639. doi: 10.1093/humupd/dmt027.
(2) Adamson, G.D., Kennedy, S. & Hummelshoj, L. (2010).  Creating solutions in endometriosis: global collaboration through the World Endometriosis Research Foundation. Journal of Endometriosis, 2(1), 3-6. https://doi.org/10.1177/228402651000200102
(3) Rogers, P., D’Hooghe, T., Fazleabas, A., Gargett, C., Giudice, L., Montgomery, G., Rombauts, L., Salamonsen, L., DPhil, K. (2009) Priorities for Endometriosis Research: Recommendations From an International Consensus Workshop. Reproductive Sciences, 16 (4), 335-346 DOI. 10.1177/1933719108330568
(4) Vercellini, P., Crosignani, P.G., Abbiati, A., Somigliana, E., Viganò, P., & Fedele, L. (2009). The effect of surgery for symptomatic endometriosis: the other side of the story. Human Reproduction Update, 15(2), 177-188. doi:10.1093/humupd/dmn062
(5) Vercellini, P., Trespidi, L., DeGiorgi, O., Cortesi, I., Parazzini, F., & Crosignani, P.G. (1996) Endometriosis and pelvic pain: relation to disease stage and localization. Fertility and Sterility, 65(2), 299-304. doi: https://doi.org/10.1016/S0015-0282(16)58089-3
(6) Eskenazi, B., & Warner, M.L. (1997). Epidemiology of endometriosis. Obstetrics and Gynecology Clinics of North America, 24 (2), 235-258. https://doi.org/10.1016/S0889-8545(05)70302-8
(7) Moen, M.H., & Schei, B. (1997). Epidemiology of endometriosis in a Norwegian county. Acta Obstetricia et Gynecologica Scandinavica, 76(6), 559-562. doi: 10.3109/00016349709024584
(8) PORDATA (2018). População residente do sexo feminino segundo os Censos: total e por grupo etário. Consultado em 14 de março de 2019, em https://www.pordata.pt
(9) Sociedade Portuguesa de Ginecologia (2015). Consenso sobre endometriose. Penela: Sociedade Portuguesa de Ginecologia. Disponível em http://www.spginecologia.pt/uploads/CONSENSO_LivroEndometriose_2015.pdf